sábado, 17 de dezembro de 2011

Cara, casa. Tudo sozinho. (Caio S.C.)

O cheiro do oceano tocou seu olfato, o sol, refletido no mar, mandava seus raios por entre a janela, grande e aberta e as cortinas flutuavam com a brisa. Entre essa cena, que um homem recém acordado estava a olhar, via o melhor de todo esse quadro, que era a bela mulher de cabelos longos e negros, o vento criava estreitos pontos de visão para seu corpo e suas curvas, ela era magra, seu quadril tinha dimensões julgáveis perfeitas, podia até não ter muito seios, mas tudo aquilo era uma linda equação criada pelo destino.
O homem se levanta, eles se olham, ela com o seu olhar entre o ombro e seus cabelos, um sorriso e olhar sem malicia. Era uma cena magnífica, ele não poderia querer mais nada da vida. Mas a bela mulher deu passos para fora do quarto, virando a esquerda, e quando o homem foi lá para vê-la e beijá-la, ela já não estava lá. Só lhe restava a vista a beira mar, o vento e um resto de perfume de mulher. Somente.
[...]
Agora ele estava em direção ao banheiro, e não tinha idéia de como tinha chegado ali, mas ele continuava a seguir o caminho, este no qual, se podia ouvir uma bela voz cantando, outrora desafinando, outrora cantarolando uma parte esquecida da melodia. Ele chegou ao banheiro, abriu a porta e viu uma bela mulher loira tomando banho, seus olhos claros e seu corpo bem formado em pequena escala, delicada, entre o véu plástico do Box, com seu cabelo dourado preso, ela segurando com as mãos rentes ao corpo a água fria que caia, e então ela pediu para que o homem pegasse uma toalha no guarda-roupa, ele deu uma ultima observada nela, ambos abriram um sorriso, ela disse “O que foi?! Vai logo – risos –“, e então foi, chegou ao guarda-roupa, pegou uma toalha verde, aproveitou para colocar uma bermuda, terminado, ele voltou ao banheiro. Mas ela também não estava lá. O chão do banheiro seco, sem nenhum fio de cabelo no ralo. O que seria estranho para a aparente casa cheia de mulheres.
O homem ficou pensativo, afinal, que diabos era isso?!
A fome veio como um soco no estômago, logo ele queria matar esse vazio.
Logo após descer a escada de vidro, passar pela grande sala de estar daquela mansão de praia, e seguiu seu caminho para a cozinha, se deparou agora com outra mulher, uma linda morena de olhos azuis, comendo cereal, ela pegou um morango, levou a boca, percebeu a presença do homem, sorriu e disse “Bom dia”. Perplexo pelas aparições, foi se aproximou da mulher, olhou em seus olhos, a luz os tornava ainda mais claros, de um azul digno de um céu limpo de primavera. Ele a tocou e a deu um beijo, e assim, mais uma desapareceu em sua frente.
Cada vez ele se sentia com um vazio, e cada vez mais só - do que se podia ser - com toda hora uma paixão, ou corpo uma vez desejado, desaparecendo. Ele precisava ficar calmo, aquilo não era normal, ele não estava normal.
Seguiu seu caminho automático para a varanda da cozinha, onde sempre fumava um cigarro na tentativa de retirar seu estresse em forma de fumaça. Olhou para o céu, e viu ao horizonte as nuvens cinza e pesadas se aproximando, ele não tinha mais muito tempo para aproveitar o belo dia que logo se esvaia. Acendeu o cigarro, tragou, e soltou sua fumaça, cabisbaixo pelas perdas que eram antes fáceis e superficiais, simplesmente pelo fato de ser ele quem desaparecia da vida da mulher, nunca o contrario. Ainda de cabeça baixa, fechou os olhos, quando os abriu pode ver uma serena mulher ruiva meditando, com sua calça de malhar e top, um corpo nada especial, porem simples e tão aparentemente acolhedor naquele momento.
O homem se sentou ao seu lado, pode ouvir a respiração da mulher, e até mesmo a sua ofegante, surpreso pela aparição e quase tossindo pelo cigarro. Ela percebeu sua presença, abriu um de seus olhos, verdes, em contraste com os belos cabelos vermelhos. “Então, qual é a sua?”, ele quase sem ação perguntou “Po-por que vocês estão fazendo isso?!”, ela rapidamente disse muito calmamente “É você quem esta fazendo consigo mesmo”. Ela levantou-se, ele ficou ali uns instantes sem postura, derrotado, ele tinha entendido a mensagem delas, de todas, tudo que ele nunca levou em consideração veio como um tiro em sua cabeça em sua alma. Foi uma epifania, e o vazio agora estava muito maior.
Sentou-se no sofá da sala, olhou para o lado, serviu-se de umas doses de Whisky, tomou um gole, olhou pro teto com a cabeça recostada. Agora só havia ele e sua casa grande, mais nada, sem fotos, sem momentos, sem pessoas, sem sentimentos. Pelo menos não sentimentos que devessem ser alimentados. Caiu no sono, na esperança de acordar com a possibilidade de ser um cara melhor. E claro, sonhou com mulheres novamente.

4 comentários:

  1. Mto bacana a forma como você retrata a vida e o coração deste homem com a casa em que varias mulheres existiram e no fim só restara ficar sozinho, sentindo a falta de uma mulher (uma esposa, um amor que fosse pra sempre). Muito rica suas palavras mais existem trechos em que se perde toda magia. Mais está de parabéns senhor Caio.

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  2. Muito obrigado senhora Paola, agradeço pela atenção nos erros ;D

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  3. Não são erros senhor Caio, considere um elogio, pois você tem capacidade de torna-lo melhor!

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  4. Muito legal. A construção esta tranquila.
    A idéia de que, este homem, é como tantos (e tantas) que mesmo colhendo os frutos das atitudes que plantaram, demoram muito a mudar.

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