domingo, 9 de outubro de 2011

Superação! É isso ou nada. (Caio S.C.)



Sim, sim, sou obrigado a falar pras pessoas o que é sofrer de verdade, fome, doença, guerra. Agora vai ficar morrendo pelo o que se diz "amor"?!
Sei pode ser dor da alma, mas uma arma na sua cabeça, o fio da morte numa bala menor do que seu olho, a ponto de não viver por simples acaso da vida, de estar na hora errada no lugar errado. Eu posso te ajudar, mas nunca terei dó. 
Serve pra todos.
Você pode pensar que estou falando hipocritamente, de que nunca vi uma arma sequer. Porém, como diria um velho deitado, deitado mesmo: "A vida é uma caixinha de surpresas meu amigo".
Era noite, por perto das 8h, somente eu em casa, por volta dos meus 6 ou 8 anos, a idade não me parece tão importante, mas tem sua importância. O meu pai não estava em casa, logo ali, uns dez metros de distancia da casa, mas desatento e no lugar errado, ou certo. Minha mãe estava chegando, na maior calmaria possível do Jardim Ângela em pleno 2001. Ela chega e entra, mas não vêm sozinha, dois homens estavam juntos, antes fossem amigos, eram o resultado, a criação do Sistema: Pessoas que querem demais, simplesmente, por ver a desigualdade a uma ponte de distancia. Eles não estavam certos de obter o que queria com o modo errado, mas Sistema é quem os criou, os programou logo após ter caído na armadilha da desgraça dos pobres e o luxo dos ricos. Não os culpo por serem fantoches dessa arma capitalista, mas você faz da sua vida o que, só que, você também faz aquilo que vê como única escolha. Então ali eles entraram, tempos depois, chega o patriarca da casa, não existe o que fazer senão colaborar. E "foram-se os anéis e ficaram os dedos" como diz o ditado, ninguém saiu ferido, porque não haverá de sair. E lá se foi o Nintendo 64, uma grande pena pra mim e meu irmão, que por sorte não estava lá, seria estranho aquela situação em todos na cama, juntos abraçados, e ele possivelmente em sua cadeira de rodas, sozinho no canto, mas se ele estive lá não deixaria essa cena acontecer. A grande questão não é de como nos perdemos tudo, vendemos o pouco que sobrou e fomos pra uma cidade mais decente, mas como naquele instante, onde todos estavam juntos, abraçados, e eu, uma criança, aos prantos tive que aprender com as bordoadas da vida.
Era eu, e aquele cara mascarado, duas insignificantes partículas num universo escuro e vazio, ele olhou pra mim, irritado com o calor do momento, e com o choro que um dia ele pode ter ouvido de si mesmo por ter sofrido antes também, e disse em tom rude olhando em meus olhos, direcionando a ordem à meus pais:
"Manda esse moleque calar a boca, senão..."

Ali, foi o primeiro grande jab que levei na minha vida. Não havia pelo o que chorar. Não que estivesse tudo certo, mas que aquilo era superação. O significado é muito inconsciente pra se poder explicar assim, mas creio que você pode imaginar uma arma bem perto da sua cara, a bala estava ali, a morte na pólvora, só era preciso uma minúscula faísca pra que ali acabasse a historia, mas não acabou. Ainda bem, segui a vida, e só segui porque parei de chorar, senão tivesse feito isso, talvez outro alguém haveria de escrever algo parecido, mas nunca igual a mim.

Se você esta vivo, é pra lutar por algo.
Não importa se é lutar para viver, ou viver para lutar, desde que seja pela vida, vale à pena.

Obrigado.
Mas essa foi a primeira grande pancada da vida, mas não a ultima.

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